Biografias
04.28.2026
Salamon, Marcelo

A criminologia forense moderna não se limita a laboratórios ou salas de aula; ela é uma ciência itinerante. Os maiores peritos do mundo são frequentemente convocados para missões em solo estrangeiro, onde a complexidade de um crime exige o olhar de quem já viu de tudo.
Neste artigo, exploramos o legado dos pioneiros e a trajetória global dos grandes mestres da atualidade.
🏛 O Legado Histórico: As Bases da Ciência
Antes dos grandes peritos modernos cruzarem o oceano, três nomes estabeleceram os pilares que usamos até hoje:
- Cesare Lombroso (Itália): O pai da Antropologia Criminal. Seu maior feito foi mudar o foco do Direito: em vez de olhar apenas para o crime (o ato), ele começou a estudar o criminoso (o autor).
- Hans Gross (Áustria): O verdadeiro pai da Criminalística. Ele provou que um juiz não pode julgar apenas com base em leis, mas precisa entender de física, química e biologia para interpretar uma cena de crime.
- Edwin Sutherland (EUA): Revolucionou ao provar que o crime não está restrito a classes baixas, criando o conceito de “crimes de colarinho branco”, que hoje é a base para investigações de corrupção em todo o mundo.
🔬 A Elite Contemporânea: Referências Globais
Estes profissionais são a prova de que a perícia forense é uma linguagem universal. Suas atuações moldaram investigações em diversos continentes.
Raúl Osvaldo Torre (Argentina)
Referência máxima na UCES (Buenos Aires), o Dr. Torre é um dos peritos mais requisitados da América Latina. Seu currículo é vasto e ultrapassa as fronteiras argentinas.
- Atuação Internacional: Com passagens e colaborações na Inglaterra (Reino Unido), Espanha (onde se especializou na Universidade de Salamanca) e Estados Unidos (onde obteve seu PhD), Torre é conhecido por sua habilidade em unir o perfilamento psicopatológico com a investigação técnica de campo.
- Legado: Ele é o mestre da “Criminologia de Campo”, ensinando peritos a lerem a cena do crime como um livro aberto.
Robert Hare (Canadá)
O homem que definiu o que é a psicopatia moderna. Sua escala, a PCL-R, é o padrão ouro mundial.
- Atuação Internacional: Sua influência é sentida em praticamente todos os países desenvolvidos. Ele já prestou consultoria e realizou pesquisas em colaboração com instituições nos Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Nova Zelândia, sendo o consultor principal de tribunais internacionais para casos de alta periculosidade.
Duarte Nuno Vieira (Portugal)
Provavelmente o perito com a maior milhagem internacional em missões humanitárias.
- Atuação Internacional: Como consultor das Nações Unidas (ONU), Vieira já atuou em mais de 30 países, incluindo missões críticas na Armênia, Maldivas, México, Brasil, Espanha e diversos países em conflito na África.
- Legado: Sua especialidade é o Protocolo de Minnesota, focado na investigação de mortes suspeitas e tortura sob custódia do Estado.
John Douglas (EUA)
O homem que “inventou” o perfilamento criminal moderno no FBI.
- Atuação Internacional: Embora sua base tenha sido os EUA, suas técnicas de profiling foram exportadas para o mundo todo. Ele já colaborou com polícias e agências na França, Reino Unido, Alemanha, Canadá e Suíça, ajudando a caçar alguns dos assassinos em série mais notórios da história.
Adrian Raine (Reino Unido / EUA)
O líder da Neurocriminologia, que estuda o cérebro dos criminosos.
- Atuação Internacional: Nascido no Reino Unido e radicado nos EUA, Raine já apresentou suas pesquisas e prestou consultoria em mais de 33 países. Ele liderou projetos de pesquisa de longo prazo em locais como a Ilha Maurício (África), onde acompanhou o desenvolvimento de crianças por décadas para entender as raízes da violência.
O Impacto Global da Criminologia
A maior influência deixada por esses nomes é a padronização científica. Seja na UCES com Osvaldo Torre ou em uma missão da ONU com Duarte Nuno Vieira, o objetivo é o mesmo: garantir que a prova técnica fale mais alto do que qualquer opinião política ou social.
Hoje, graças a esses mestres, um crime cometido na Inglaterra ou na Argentina pode ser analisado com o mesmo rigor técnico, permitindo que a justiça seja verdadeiramente baseada na verdade dos fatos.