Analise técnica

Salamon, marcelo; Salamon, I.

10.03.2026

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A criminologia forense não busca apenas punir; ela busca entender. Para o operador do Direito e para o estudioso da mente humana, o crime é, como define o renomado psiquiatra forense Dr. Guido Palomba, “uma fotografia exata e em cores do comportamento do indivíduo”. No entanto, o campo de batalha entre a psiquiatria e a psicologia nunca esteve tão polarizado, e as consequências desse conflito refletem diretamente na estrutura das famílias e na segurança da sociedade.

A Supremacia da Psiquiatria Forense

A psiquiatria forense (ou juspsiquiatria) ocupa um lugar central por sua capacidade de articular o saber médico com a necessidade jurídica. Diferente da psiquiatria clínica, que foca no tratamento, a forense foca no diagnóstico preciso e no prognóstico de periculosidade.

Seguindo a linha de Palomba, a psiquiatria ideal não é aquela puramente medicamentosa — que ele critica como uma “decadência da psiquiatria ocidental” — mas sim aquela que entende o indivíduo em seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais. A crítica central aqui é que o psiquiatra capacitado deve ser capaz de realizar a escuta e a análise que hoje são delegadas ao psicólogo, mas com o embasamento clínico que só a medicina proporciona.

O Conflito: Soluções que Causam Danos?

Uma das maiores controvérsias atuais reside na atuação de parte dos profissionais da psicologia. Se, por um lado, a teoria promete soluções para conflitos humanos, a prática tem sido alvo de duras críticas em tribunais de família e varas criminais.

  • Intervenção Familiar e a “Retirada de Filhos”: Relatórios psicológicos muitas vezes servem de base para decisões drásticas que desestruturam laços biológicos sem a devida cautela clínica, baseando-se em interpretações subjetivas que podem causar mais danos do que os problemas que visavam resolver.
  • A Confusão entre Vocação e Carência Pessoal: Existe um argumento latente de que muitos profissionais buscam a psicologia não por uma vocação de serviço, mas para tentar resolver seus próprios conflitos e traumas não resolvidos. Quando o terapeuta projeta suas sombras no paciente ou no réu, ele deixa de ser um instrumento de cura para se tornar um agente de confusão social.

A Visão de Guido Palomba e a Crítica à Psicologia

Para o Dr. Guido Palomba, a psicologia moderna muitas vezes falha ao não reconhecer a “doença mental” em sua essência biológica ou ao tentar tratar o “indomável”. Ele defende que o psiquiatra deveria ser o “psicólogo por excelência”, unificando as funções para evitar diagnósticos superficiais baseados em protocolos genéricos (como o excesso de uso do DSM-5).

“A psiquiatria involuiu. Hoje se vende mais antidepressivo do que Hipoglós. Os psiquiatras precisam voltar a ser psicólogos, mas sem abandonar o rigor da medicina.” — Guido Palomba (adaptado de entrevistas recentes).

Palomba frequentemente pontua que laudos que se baseiam apenas em testes psicológicos sem um exame clínico profundo são “imprestáveis”. Ele sustenta que o comportamento criminoso, especialmente o dos psicopatas (que ele chama de condutopatas), não é curável por terapia de conversa, pois há uma “chavinha desligada” no cérebro que a psicologia muitas vezes ignora ao tentar humanizar o que é uma deformidade de caráter.

Conclusão

O debate na criminologia forense exige que olhemos para além da superfície. A proteção da sociedade e a integridade das famílias dependem de profissionais que tenham, acima de tudo, o equilíbrio entre a técnica médica e a sensibilidade humana, sem deixar que suas próprias necessidades pessoais turvem o julgamento técnico.

Se a psicologia quer se manter relevante e benéfica, ela precisaria ser submetida ao mesmo rigor científico que a psiquiatria forense de ponta exige, evitando que ideologias ou carências pessoais de seus praticantes ditem o destino de vidas alheias., o que é quase impossível, causando essa hoje serios danos, muitas vezes trazendo muito mais prejuízo do que soluções.